Fotos do Museu

Desde a chegada ao Museu Brinquedim, as crianças já se sentem abraçadas, seja pelas esculturas dos bonecos gigantes dando as boas-vindas ou pela natureza que contorna o espaço com suavidade.


O percurso é lúdico do início ao fim, acrescido ainda da presença do criador, o Dim, "que está vivo", como ele mesmo faz questão de reforçar. "As crianças costumam conhecer a obra, mas raramente o autor. Para elas, todos os artistas estão mortos", destaca o artista Dim com humor.
Ao adentrar à casa aconchegante transformada em museu, crianças e adultos se transportam para uma espécie de mundo mágico, cheio de cores e de mensagens positivas. A começar pelos brinquedos feitos à mão, todos educativos e funcionais. Em cada peça, uma explicação repleta de vida e de esperança. O boneco João Teimoso é um dos exemplos, bem como marca registrada do artista.  "Caiu, levantou", recomenda Dim para que todos ajam igualmente ao seu boneco, sem dar margens à tristeza.
(...) Além da visita ao museu e ao ateliê do artista, as crianças interagem com a natureza, com passeio na trilha do Saci Pererê, quando aprendem sobre a biodiversidade. Até o momento já foram catalogadas mais de 90 espécies nativas. Ao final do roteiro, um momento para de descontração no parquinho com os brinquedos do Dim.
Em quase cinco décadas de trabalho, Antonio Jader Pereira dos Santos, o Dim, guarda um acervo de 500 peças, fora aquelas que tiveram outros destinos. São brinquedos, esculturas e telas, de pequenas e grandes dimensões. Todas entretanto têm nome, significado e histórias, muitas histórias. "Todo o dia eu faço alguma coisa, uma perna, um braço, um nariz, depois eu junto", diz aos risos o menino que cresceu inventando os próprios brinquedos e brincadeiras.
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Cristina Pioner

 

O sitio museu do Dim na Estrada da Coluna em Pindoretama, Ceará, é um mundo de fantasia do menino da cidade pequena. De menino que correu descalço na Praça da Matriz, que jogou bola na areia e que subiu e caiu de um pé de siriguela. De um menino que nunca ficou adulto, mas que cresceu como pintor, escultor, pesquisador e produtor de umas das obras artísticas mais singulares do Brasil.
Na chegada ao museu a gente vê uma dúzia de pares de olhos redondos que observam a estrada a partir do muro. Olhares curiosos de olhos bem abertos. Pretos. Olhares de índios, portugueses, negros, amarelos, vermelhos, brancos, róseos. Mas olhares de menino. De quem vê tudo pela primeira vez, e vê tudo lindo.
Cruzo o portão. Há três bonecos gigantes a nos receber. Braços levantados em alegria e suspensórios segurando largas calças coloridas. Os olhos, entretanto, já trazem um pouco de nostalgia. Meio perdidos no espaço. Mas os gestos, as cores, a alegria, nos ilumina.
O Sitio não é muito grande para quem mora em uma fazenda. Mas é gigante para quem mora em um apartamento de cento e dezesseis metros quadrados. A casa é ampla. Toda pintada. Limpa. Há peças coloridas em todos os lugares. Dim vem construindo sua casa museu há dez anos. Nela junta a memória de tudo que produziu ao longo de sua carreira, peças antigas que recolheu pelo mundo, maquetes, projetos novos e antigos, peças e pinturas novas.
Dois bonecos gigantes com câmeras de cinema nas mãos estão expostos na varanda. Lembro da primeira que os vi. Foi no VI Festival de Cinema de Fortaleza, em frente ao Cine São Luiz, na Praça do Ferreira. Fiquei impressionado. Eram lindos. Coloridos. Gigantes. Simpáticos. Depois os vi no Dragão do Mar, impávidos personagens nas fotos dos visitantes de nosso templo da cultura. Hoje me reencontro com estes dois velhos amigos e vejo que eles continuam me encantando.
Dim me mostra uma peça pintada em 3D. A dimensão da pintura plana e libélulas gigantes planando sobre o substrato super colorido. Me diz que vai fazer aquilo grande, no sítio. Há também quadros incríveis em todas as paredes. Olho as telas e entendo que fosse ele somente um pintor, já seria um dos grandes. Em cada tela há uma visão infantil que se esmaeceu ao longo de minha transformação em gente grande, um brilho de cores que vibram como quando descobri o gosto de doce de burití, uma alegria como a que tive em meu primeiro beijo de verdade.
Osterne Feitosa